Política

Esposa de aliado de Guilherme Delaroli passa a atuar em cargo da Alerj

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro nomeou Carina Fuentes de Faria, esposa do vereador de Maricá Ricardinho Netuno (PL), para o cargo de assistente na Subdiretoria-Geral de Informática.

A nomeação ocorreu no dia 22 de abril, com salário de R$ 6,4 mil. Esta é a primeira experiência identificada de Carina em um cargo no Legislativo fluminense.

Ricardinho Netuno é um dos aliados políticos do deputado Guilherme Delaroli (PL), 1º vice-presidente da Alerj. A parceria entre os dois é recorrente nas redes sociais do vereador, que pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.

Reportagem pediu explicações à Alerj

A assessoria de imprensa da Assembleia foi procurada para esclarecer os critérios da nomeação, a experiência da servidora na área de informática e o sistema de controle de frequência.

Em resposta, a Alerj confirmou que Carina atua como assistente na Subdiretoria-Geral de Informática desde abril. A Casa informou que a frequência dos servidores é acompanhada pela chefia do setor.

A instituição não detalhou as atribuições da assistente ou quais foram os critérios utilizados na escolha para a função.

A reportagem não encontrou, em pesquisas em fontes públicas, referências a formação de Carina em informática. Em outubro do ano passado, ela abriu uma microempresa cuja atividade principal está ligada a serviços de estética e cuidados com a beleza.

Tentativas de contato não tiveram retorno

Foram enviados questionamentos a dois e-mails do gabinete de Ricardinho Netuno. Carina também recebeu mensagem por WhatsApp. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

No ano passado, o vereador concedeu à esposa o título de cidadã maricaense, em cerimônia que também homenageou Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa.

O espaço segue aberto para que Ricardinho Netuno, Carina Fuentes ou a Alerj apresentem novos esclarecimentos.

O vereador chegou a ter o mandato cassado em outubro do ano passado por decisão da 55ª Zona Eleitoral, mas segue como o cargo porque está recorrendo da decisão.

Em uma AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral), o Ministério Público aponta que, em 2024, Netuno fez postagens em redes sociais acusando fiscais eleitorais de perseguição política sem apresentar provas.

“A ausência de qualquer fonte séria, somada ao conteúdo sabidamente inverídico, revela o caráter doloso da divulgação, com a intenção de influenciar o processo eleitoral. A propagação deliberada de fake news, principalmente contra instituições democráticas, não encontra abrigo na proteção constitucional da liberdade de expressão”, afirmou o MP.

Apesar da ação, Netuno não só segue com o mandato de vereador como também teve a candidatura a deputado federal deferida.

Além do fundo partidário, ele tem como um de seus doadores de campanha o deputado Guilherme Delaroli, que colaborou com R$ 7,6 mil.

Ontem, mostrei na coluna que uma cabo eleitoral do vice-presidente da Alerj tem cargo na Escola do Legislativo da Casa. Ela recebe salário de R$ 2,3 mil e divulga ações de campanha do deputado, inclusive em horário de expediente.