Maricá

Lagoas de Maricá formam sistema complexo que influencia a vida, o ambiente e o crescimento da cidade

As lagoas de Maricá fazem parte de um sistema natural que influencia a pesca artesanal, o lazer, o turismo, a ocupação urbana e a paisagem do município. Mais do que cenários de contemplação, elas recebem água de rios, canais e da chuva, abrigam diferentes espécies e se conectam, em diversos pontos, ao oceano.

O complexo lagunar municipal reúne as lagoas de Maricá, Barra de Maricá, Padre, Guarapina, Jacaroá, Araçatiba, Boqueirão e Jaconé. Segundo a Prefeitura, o sistema tem ligação com o mar pelos canais de Ponta Negra e Itaipuaçu.

Sistema Lagunar Maricá-Guarapina tem cerca de 34 km²

Um estudo da Coppe/UFRJ analisa o núcleo conhecido como Sistema Lagunar Maricá-Guarapina, formado pelas lagoas de Maricá, Barra, Padre e Guarapina. Juntas, elas possuem aproximadamente 34 quilômetros quadrados de espelho d’água.

A Lagoa de Maricá representa cerca de 18 km² desse total, seguida pela Lagoa da Barra, com aproximadamente 8 km². As lagoas do Padre e de Guarapina completam o conjunto estudado.

Por serem ambientes rasos, com profundidade média próxima de um metro, as lagoas respondem rapidamente à chuva, aos ventos, à entrada de sedimentos e às mudanças na circulação da água. O relatório técnico da Coppe/UFRJ destaca que o sistema tem circulação limitada e ligação restrita com o mar.

Renovação da água varia entre as lagoas

A troca de água não ocorre da mesma forma em todos os pontos do sistema. Na Lagoa de Maricá, a renovação é influenciada principalmente pelos rios que chegam à região. Já as lagoas do Padre e de Guarapina recebem maior influência do Canal de Ponta Negra e do regime de marés.

Nos cenários analisados pela Coppe, a Lagoa da Barra apresentou a menor taxa de renovação. Esse dado ajuda a entender por que nutrientes, matéria orgânica e outros poluentes podem permanecer por mais tempo em áreas com menor circulação.

É importante destacar que renovação de água não significa, automaticamente, água limpa: o próprio estudo esclarece que o modelo analisou a entrada e a mistura de massas de água, e não a qualidade da água em si.

Lagoas sustentam pesca, lazer e biodiversidade

O sistema lagunar é importante para a pesca artesanal e serve de habitat para peixes, camarões, aves, plantas aquáticas e outros organismos. Também está presente na rotina de moradores que praticam canoagem, remo, caminhada, contemplação e atividades culturais nas margens.

A preservação dessas áreas depende do controle de fatores como lançamento de esgoto, descarte irregular de lixo, assoreamento, ocupação desordenada das margens e degradação dos rios e canais que alimentam as lagoas.

Lagoa não é apenas área de drenagem urbana

Grande parte da água da chuva que cai sobre a cidade chega, direta ou indiretamente, ao sistema lagunar. Isso, porém, não transforma as lagoas em simples reservatórios urbanos.

Elas são ecossistemas naturais, com capacidade limitada de absorver sedimentos, resíduos e poluentes. Por isso, ações de saneamento, drenagem, recuperação de rios, proteção das margens e planejamento urbano precisam ser realizadas de forma integrada.

Conhecer o funcionamento das lagoas é parte essencial da proteção de um dos principais patrimônios naturais de Maricá.