Economia

Maricá lidera royalties do petróleo no Brasil e busca economia menos dependente do pré-sal

Maricá recebeu cerca de R$ 1,907 bilhão em royalties do petróleo entre janeiro e julho de 2026 e manteve a liderança nacional entre os municípios beneficiados pelos repasses da exploração petrolífera.

Os valores, calculados e distribuídos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostram o peso dos campos do pré-sal na economia local. Ao mesmo tempo, reforçam um desafio para a cidade: transformar parte dessa riqueza temporária em atividades econômicas permanentes. ANP

Royalties cresceram e mudaram o orçamento de Maricá

O montante recebido nos sete primeiros meses de 2026 é superior aos aproximadamente R$ 1,563 bilhão registrados no mesmo período de 2025. Com isso, Maricá permanece no topo do ranking nacional pelo quarto ano consecutivo.

A trajetória da arrecadação ilustra a transformação financeira do município. Em 2007, antes da exploração em larga escala do pré-sal, Maricá recebeu cerca de R$ 5,7 milhões em royalties. Em 2017, royalties e participações especiais já somavam aproximadamente R$ 746 milhões.

Segundo dados divulgados pelo município, royalties e participações especiais chegaram a cerca de R$ 4,236 bilhões em 2025. A receita petrolífera passou a financiar parte importante do orçamento público, investimentos em infraestrutura e programas municipais.

Dependência do petróleo é o principal desafio

Apesar da arrecadação atual, os royalties não são uma fonte permanente e estável. Os repasses variam conforme a produção dos campos, o preço internacional do petróleo e as regras de distribuição dos recursos.

A previsão orçamentária de 2026 revela essa dependência: dos R$ 7,318 bilhões previstos para o orçamento municipal, aproximadamente R$ 3,73 bilhões seriam oriundos de royalties e outros R$ 792,8 milhões de participações especiais.

Por isso, o debate não se resume ao tamanho dos repasses. A questão central é como utilizar os recursos enquanto eles existem para fortalecer atividades capazes de gerar empregos, arrecadação própria e renda fora da cadeia petrolífera.

Turismo, tecnologia, indústria e logística estão no plano

A Prefeitura tem apresentado a diversificação econômica como uma das prioridades da atual gestão. Entre os setores apontados estão turismo, tecnologia, indústria, logística e serviços.

Projetos como o complexo MARAEY, novos empreendimentos turísticos, a expansão do Aeroporto de Maricá e as propostas relacionadas ao Porto de Jaconé aparecem nesse planejamento. Em julho, a Prefeitura apresentou à Petrobras projetos envolvendo o porto, uma possível usina termelétrica e o aeroporto, com o objetivo de atrair investimentos e ampliar oportunidades de trabalho. Prefeitura de Maricá

Parte da estratégia, porém, ainda depende de licenciamento, investimentos privados, estudos técnicos e decisões futuras. Portanto, projetos anunciados não devem ser tratados como empreendimentos já implantados.

Fundo Soberano guarda parte da riqueza atual

Uma das ferramentas criadas para preparar Maricá para o futuro é o Fundo Soberano Municipal. A legislação prevê que o mecanismo contribua para reduzir a dependência de recursos naturais, formar poupança pública e amenizar oscilações na arrecadação de royalties e participações especiais. Lei do Fundo Soberano

Segundo o portal do Fundo Soberano, o patrimônio consolidado estava em aproximadamente R$ 2,1 bilhões na atualização de maio de 2026. Fundo Soberano de Maricá

O indicador mais importante dos próximos anos, no entanto, será a capacidade de Maricá de ampliar sua economia privada e suas receitas próprias. A cidade já é rica em petróleo; o desafio é construir uma base econômica que continue forte quando os royalties tiverem menor peso no orçamento.